domingo, 31 de maio de 2009

9° Ato: Um tchau e um novo começo.

De novo me vejo fugindo.

Mas dessa vez, foi para o meu próprio bem.

Ficar aqui não estava sendo bom para mim.

E estou sendo egoísta, coisa que nunca deveria ter deixado de ser enquanto estava ao seu lado.

Tchau!

Ficar aqui estava me destruindo aos poucos.

Todos os meus pedaços estavam espalhados pela casa e pela cidade, como se você tivesse dado um tiro na minha cabeça e os meus miolos tivessem voado e grudado por cada canto, com alguns pedaços se perdendo em você, grudando na sua camisa de flanela e eu podia ver em seus olhos, o quanto me ver assim destruída te fazia bem. A minha destruição era o seu remédio, era o que você precisava, eu era um troféu que você fez questão de levar para poder expor. Eu não era a primeira e também não seria a última não é? Pior que você nem precisa começar a mentir, é e eu sei.

Resolvi juntar o que ainda restou, com muito cuidado, juntando cada pedaço, refazendo cada nó, colando tudo com cola super-bond, reconstruindo-me e remontando-me do tiro no escuro que você deu ao apertar aquele gatilho sem pestanejar.

O passado com um pouco de amor familiar é o que mais preciso. O cheiro da infância, uma mistura de doce e salgado, a barra da saia de mamãe para eu achar que estou protegida e o colo de papai para eu sentir que o mundo não é tão perigoso.

E lá você não pode me atingir, lá não, você não tem as chaves.

Preciso sair desse lugar, desse rastro de violência com uma Elisa que habita dentro de mim. Qual? Elis? Elisabeth? Não sei. Não me pergunte que eu ainda não sei, mas uma parte de mim foi assassinada.
Preciso voltar para o lugar em que eu nasci, como quando a gente é bebê e o único lugar que nos traz sossego é o colo da mamãe, ali bem perto ouvindo o coração dela bater e sentindo que tudo voltou ao seu lugar. Tudo é simples. Tudo é tranquilo. É tudo que eu preciso.

Levo comigo poucas coisas, apenas o que de mim ainda resta em mim.

Eu não preciso de muito agora.

Já bastam as lembranças que não saem da memória mesmo que eu queria, eu bem sei disso, lembranças são vírus cancerígenos.

Só preciso esquecer você, o que sei que me consumirá, assim como a um viciado em heroína que luta contra a abstinência.

Mas já comecei o processo de desintoxicação, arrumei as malas, me arrumei e estou pondo os pés no mundo, enfrentando as pessoas desconhecidas na rua, caindo no que chamamos de liberdade...

Mais alguns dias e volto a ser a Elisa. A Elisa de sempre? Mas quem é a Elisa de sempre? Preciso redescobrir.

E você?

Foda-se.

Morra de saudade, porque ela vem, toda noite ela vem, e ela vai fazer o seu coração implorar pela minha voz desejando boa noite e do calor do meu corpo junto ao teu.

Voltarei melhor,
Voltarei reconstituída,
Voltarei EU,
Voltarei Elisa

Feliz? Não sei, o que é a felicidade? Roupas, bens materiais, um amor, um dia, um sorvete...?

Voltarei mulher e feliz que a garota hoje cresceu e tudo é culpa do garoto que não soube ser homem e que nunca o será, você.

Pelo menos uma coisa você soube fazer.

E talvez um dia eu vá te agradecer por isso, mas não hoje. Não agora.

Agora eu vou ali, procurar por mim.

3 comentários:

o besta disse...

Quanto rancor, mas eu acho válido. Sentir-se assim depois do fim de algo é totalmente plausível, mesmo pq quando as arestas não são aparadas o recentimento fica.

ps continuarei acompanhando.

pedro disse...

é sempre bom começar, começar e começar.

...Uma semana de Dez anos. disse...

olá. boa noite
achei seu blog por ai, nao sei ao certo onde,
li alguns post e achei super interessantes.
To te seguindo, e parabens pelos textos!!!